Muito prazer em ME conhecer!
Viver é o exercício contínuo de buscar, a cada dia, algo que nos completa, nos motiva e nos impulsiona. Este "algo" é apelidado de felicidade...eu o chamo de autoconhecimento.
sábado, 14 de julho de 2012
Acontece no Museu da Lingua Portuguesa, São Paulo, exposição que retrata a vida e obras de Jorge Amado, que se vivo fosse tornar-se-ia centenário neste ano de 2012. Muitos eram os detalhes que nos remetiam à memória de Jorge Amado desde suas camisas estamapadas, um tanto estravagantes, às cartas escritas por ele e as por ele recebidas, havia ainda muitas fotografias em branco e preto registro de suas andanças, entre amigos e com sua eterna companheira Zélia Gattai. Muito interessante o espaço que abrigava televisões, super antigas, 14 polegadas que exibiam as novelas baseadas em seus livros, como Tieta e Gabriela, além da máquina que simulava a impressão dos jornais que traziam as notícias da época da ditadura, expondo inclusive uma carta de Jorge Amado a Luiz Carlos Prestes.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
No Bairro da Liberdade a alegria é um sentimento tão contagiante que logo nos sentimos livre e completamente à vontade pra nos misturarmos a tudo e com todos. As mulheres ali presentes esguias, brancas com seus cabelos lisos e negros, exibem orgulhosas seus traços orientais, são amistosas, nos seguram pela mão e nos arrastam para dentro do cículo de dança, sob a neblina paulista gelada ao som de música carnavalesca. Espalhadas pela rua adonada de barracas que vendem desde o acessório mais complexo ao suculento Yakisoba, estão árvores que acolhem em seus galhos cartões amarrados com fitas coloridas contendo os mais diversos desejos.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
A imagem acima exibida na Pinacoteca, em São Paulo, pode ser vista e sentida através do toque, há uma reprodução em alto relevo à direita, à esquerda de forma tridimensional, compõe ainda este belíssimo cenário as informações em brille, localizadas no centro, o texto em português sobrepõe o texto em brille, permitindo àqueles que veem através da mãos se deliciarem com as obras de arte ali expostas.
A exposição literária retrata através dos diversos personagens envolvidos que sempre existirá uma maneira viável de se solucionar um conflito sem a utilização de armas, sem o sacrificio de inocentes, sem se destruir tudo que se encontra ao nosso redor.
Podemos discordar, divergir e continuar respeitando a opinião do outro. Já dizia Voltaire: "Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres."
segunda-feira, 2 de julho de 2012
As vezes passamos pouco tempo ao lado de uma pessoa, no entanto vivemos o pouco tempo de maneira tão intensa, com tanta cumplicidade, generosidade, confidencias trocadas, parece até que haviamos nos encontrado há algum tempo e agora fora tão somente um reencontro. Neste curto tempo dividimos sorrisos dos contos uma da outra e gargalhadas naquele banho de mar, lágrimas e emoções neste encontro com o Papai Noel, que lhe rendeu um dia de estrela com direito a matéria de primeira página no jornal, você virou criança...e eu assisti a tudo e me senti um pouquinho tua mãe, tua filha e você percebeu e me disse não sei se você é minha filha ou minha mãe, ao que eu respondi sou sua amiga. Nos despedimos naquele abraço e ouvi você dizer uma frase linda no meu ouvido, no hospital você me esperou, não fui lhe dar adeus, disse até já...e prometi que voltaríamos àquele banho de mar...
sábado, 23 de junho de 2012
Onde o amor se escondeu?
Nas mãos que esganaram,
Quando deveriam acariciar,
Lá não apareceu.
Nos braços que arremessaram
Quando poderiam embalar,
Também não estava lá;
Perdido estaria no revolto mar do inconsciente,
Daqueles, cujos contraditórios pensamentos
Os mais nobres sentimentos,
Estariam a embaralhar.
Pais existem, para dos filhos cuidar,
Perturba-nos, quando escolhem assassinar,
Ceifando dos filhos a vida ,
Por eles próprios conferida
Divinos frutos do eterno amar.
E o amor que doce deveria ser,
Amargo surge ao entardecer,
Com o gosto salobro das lágrimas a escorrer,
Pelo rosto de quem fica a espiar aquele que cedo está a partir.
Rebentos, pelos pais condenados à solidão
Abandonam seus corpos, pequeninos, frágeis e indefesos
Diferente da chegada, na partida sozinhos estarão.
De um canto do salão espiando ficarão, tentando entender
Que desgraça lhes fora acontecer...
A mãe não escuta nem vê que a pequenina tenta consolar,
A seus algozes, ali presentes ela só deseja perdoar
De repente uma imensa luz na sua direção surge a iluminar
Uma mão grandiosa à sua tão pequena se unirá,
Inutilmente a pequenina acena dando adeus, enquanto imagina
Voltando agora estou para meu eterno lar.
O amor está na aceitação deste espírito iluminado
Que para que outros possam crescer,
Em vida decide seu corpo ao sacrifício oferecer.
O amor está no coração da mãe que calada fica a sofrer
E no seu desespero a Deus quer encontrar
Para em Seus braços se consolar.
Apesar da dor que sente, tenta compreender,
Que sua pequenina, a missão impossível quis cumprir
Acreditando que um dia pedaços do paraíso irão dividir.
O amor não se escondeu...
Nós é que devemos a sensibilidade provocar
Para aprendermos a reconhecer
Que além do colorido das rosas, dos beijos dos amantes
Da euforia dos apaixonados,
O amor estará sempre ao nosso lado.
É possível enxergar o amor,
No abraço fraterno daqueles que nem conhecemos,
No olhar do recém nascido que ao peito materno está a sugar,
No pedido de desculpas do amigo, no perdão devolvido,
No sorriso dedicado á quem nunca se viu ou àquele que talvez jamais se veja novamente.
O amor é decisão, e está na ação de valorizar cada ser humano como nosso irmão.
(Criado em abril de 2008 - Caso Nardoni)
Alguns podem chamar poema, soneto eu o chamo reflexão das atrocidades da mente humana para as quais não existe explicação.
Reminiscências
Pedaços de BoloSentados, recostados na parede do alpendre do velho casarão, recebiam seus pratos de ágata, neles estavam arrumados feijão, arroz, jerimum e farinha, eram dois meninos e ela, pequena, robusta, olhos que mais pareciam maduras e doces jabuticabas, seus cabelos de um negro brilhante que se confundiam com a graúna que surgia ao alvorecer com seu canto estridente. Diante dos três o genitor que deveria escolher quem entregaria ao casal que se dispôs cuidar de apenas uma das crianças que sobraram para ele, a primeira, a primogênita, já teria partido dias antes, com uma prima legítima da genitora, que havia fugido logo após o flagrante de adultério. Talvez ele enganasse a si próprio, querendo parecer justo, a verdade é que a decisão havia sido tomada logo após a partida da desdita, as meninas viveriam distantes de seus olhos, para que não lembrassem a todo instante a desonra por ele sofrida, “menino homem” é mais fácil criar, tudo passa, adquire marra desde cedo, o sofrimento deixa taludo, e as meninas, além de mais delicado cuidar, significavam a materialização da afronta da genitora. Com ares de portador de grande novidade, dizia: - Quem comer todo vai passear comigo à cavalo, vamos para Ipueiras, visitar o primo Toinho e a mulher dele. O mais velho, dos que ficaram, apressava a colherada, que subia à boca abarrotada, o caçula nada entendia, apenas rodava no prato a colher a fim de fazer barulho e bagunça, a menina, porém não sentia um bom presságio, de repente perdera o apetite, tentara não comer para que ele entendesse que não fazia a menor questão de ir, adorava cavalgar com o pai, que a seus olhos era o homem mais bonito que conhecia, mas naquele dia pressentia que não seria um passeio interessante, algo a deixava inquieta. Enquanto ela vestia seu belo vestido de três babados, estampado com bolinhas miúdas vermelhas, azuis e amarelas, com “rolutê” vermelho nas mangas e nas bordas de cada babado, botões cobertos do mesmo tecido que ficavam nas costas iam sendo abotoados um a um pelo pai, não se sabe o que ele pensava neste que seria o último dia que vestiria sua pequena, ela em silêncio se perguntava, porque estou indo se não comi todo? No alpendre o irmão mais velho esbravejava que havia comido tudo, então por direito ele deveria ir, o pai havia prometido, mas tarde haveria de descobrir que às vezes os pais prometem aquilo que não lhes é possível cumprir. Após uma cavalgada razoável, eram mais de oito léguas até o destino, chegam à loja do primo Toinho, que se apressa em conduzi-los à casa onde todos os esperam, a menina segue nos braços do pai. Era início do ritual de entrega, agora haviam quatro pessoas sentadas numa sala ampla, de piso vermelho, teto alto, as cadeiras eram tão diferentes, de ferro e balançavam para frente para trás, enroladas em tiras de plásticos coloridas, existia um corredor imenso que passava pela sala de jantar, tinha uma porta que dava para um quintal na lateral, chegava à cozinha, onde havia um fogão à lenha e terminava no enorme quintal com criação de galinhas, capotes e porcos. A menina depois de descobrir a delícia de balançar numa cadeira que fazia um barulho esquisito cada vez que ia e voltava, agora sentava naquele chão vermelho, frio, encolhida entre as pernas do pai, seu protetor, observava com certa desconfiança aquela jovem senhora, com ares de fidalga, que a olhava com os olhos cheios de lágrimas, expressando ternura e um enorme sorriso que parecia não querer se desfazer, ao lado dela o primo Toinho, de quem o pai tanto falara, parecia sério, preocupado, mal conseguia esboçar alguma palavra, a negociação era dirigida pela esposa que adiantava a conversa colocando os pingos nos is, estabelecendo as regras que deveriam ser cumpridas, indagando sobre os costumes daquela pequena menina, descobriu que faria quatro anos no início do ano seguinte. Quanto ao registro de nascimento, o genitor esclareceu que já o havia feito e que enviaria depois uma cópia, era necessário para seu ingresso no grupo escolar, que só aconteceria mais tarde. A jovem senhora se põe de pé e convida a menina para juntas irem apanhar um pedaço de bolo, a menina por um instante hesita, mas que mal haveria em acompanhá-la para pegar um pedaço de bolo para ela e seu pai? Segurou a mão da jovem senhora e percorreram unidas pelas mãos aquele longo corredor, na cozinha foi recebida por um casal mais velho que em pouco tempo haveriam de se tornar avós muito amorosos, as duas se dirigiram à despensa que ficava do outro lado do corredor onde eram localizados os quartos e o único banheiro da casa, com um chuveiro e as paredes laterais eram cobertas com azulejos. São recebidas por uma moça alta, magra e sorridente que descobre um bolo gigante, enquanto cortava uma fatia grossa do bolo fofo, conversava com a menina, não se sabe se era meramente satisfazer a curiosidade peculiar ao povo do sertão ou se no intuito de entreter a pequena para que não percebesse que o tempo passava. Serviram o bolo acompanhado de um copo de leite com chocolate, ela sentou numa mesa de madeira que existia na despensa, o tempo para as crianças não é medido como dos adultos, não se sabe ao certo quanto tempo ela demorou para retornar, o fato é que quando ela voltou, segurando na mão uma fatia daquele bolo que parecia grande demais para sua pequena e rechonchuda mãozinha, parou incrédula no fim do corredor no momento que avistou a cadeira, em que deixara à sua espera aquele quem ela acreditou jamais se separar, completamente vazia. Veio o choque, desesperada jogou a fatia de bolo, na inocência pueril acreditou ter trocado pai pelo bolo, a menina gritou, esperneou, sentia uma dor que rasgava o peito, soluçava, berrava, o pai deveria estar distante, talvez se estivesse próximo não houvesse suportado e tivesse retornado para levar de volta sua pequena, não se sabe se ela chorou até dormir, ou se perdeu os sentidos de tanto chorar. Chorava todos os dias pela manhã quando acordava, gritava pelo pai, dormia chamando pelo pai, segundo se conta durante muito tempo era por ele que ela chorava até soluçar, chamava-o primeiro bem alto, depois ia diminuindo o volume até sussurrar, depois de muito penar aos poucos foi esquecendo, as crianças precisam esquecer o que lhes magoa para poderem sobreviver.
Não recordo a data da produção, mas lembro a primeira vez que o exibi a alguém...mto importante p/mim, em 22 de dezembro de 2009
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